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A Praia

«I try to be as progressive as I can possibly be, as long as I don't have to try too hard.» (Lou Reed)

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segunda-feira, janeiro 31, 2005

O casamento dos homossexuais
Claro que os homossexuais podem casar: a direita não tem nada contra isso. Só não podem casar uns com os outros.
 

domingo, janeiro 30, 2005

«Esta gente»
Foi Vasco Pulido Valente, suponho, que popularizou entre nós o uso da expressão «esta gente», com imenso desprezo: não são nomes, não são propriamente pessoas, são simplesmente «esta gente». Hoje em dia, é difícil encontrar um texto de um cronista de direita que não imite a pose e não copie o bordão. O bordão, como todos os bordões, é medíocre, o que torna a pose ainda um pouco mais apatetada. Mas o mais divertido é que a expressão «esta gente», e a correspondente retórica intolerante, arrogante, é preferencialmente usada para fustigar o Bloco de Esquerda por ser «uma agremiação intolerante, porque absolutamente certa da sua virtude.»
Demasiado certos da nossa virtude somos talvez quase todos – mas gente desta, com certeza, partiu os espelhos em casa.
 
Um corpo à venda
Este Homem Já Sabem Quem É
Por Ana Sá Lopes
Público, 30 de Janeiro de 2005

O fim político de Santana Lopes - que diariamente agoniza aos nossos olhos - está a ser uma tragédia: o homem está a morrer no circo, ao estilo de sacrifício romano. Já nada lhe resta, os sucessores sucedem-se diariamente no PSD, perdeu o parceiro de coligação que descola a todo o vapor do mais patético primeiro-ministro que Portugal conheceu nos anos de democracia e, provavelmente, enlouqueceu.
A pantomina da democracia portuguesa iniciada em Julho passado assume agora foros de irrealidade: o homem já não tem nada para vender. Resta-lhe o currículo conhecido do eleitorado através das «revistas do coração», onde se passeava semana sim semana não - foi casado várias vezes, namorou algumas raparigas. Ontem lançou o mais estranho mote da campanha eleitoral: votem em mim porque eu gosto de raparigas. Chegámos ao patamar que nunca pensámos atingir na política. Só um miserável - e quem é Santana Lopes, neste momento do campeonato, senão um pobre despojado de qualquer bem válido para a polis? - pode utilizar em comícios, como aquele em que ontem participou, com 1000 mulheres, em Braga, o facto de ser aquilo a que se chama, em alguma gíria, "um femeeiro". Já tínhamos visto o absurdo de políticos desesperados a utilizar a estabilidade familiar como argumento de campanha - que foi o que João Soares fez contra o próprio Santana Lopes na campanha de Lisboa. Agora, vem o primeiro-ministro de Portugal rodear-se de mulheres que dizem que ele é «conhecido pela sua natureza sedutora» e «ainda é do tempo em que os homens escolhiam as mulheres para suas companheiras».
O fervor homofóbico é espantoso e quase irreal. Num comício de Lopes grita-se: «Bem hajam os homens que amam as mulheres!». E o primeiro-ministro candidato a novo mandato diz que «o outro candidato tem outros colos» e que «estes colos sabem bem».
Já nada Lopes tem para oferecer: com a credibilidade política de rastos, atira-nos um cartaz para a frente que diz «Este homem sabe o que é». Saberá? Nós sabemos. É o que Jorge Sampaio, com o apoio generalizado do país, mandou para a rua por falta de credibilidade e incompetência manifesta. Afinal, é mais o quê? Um «femeeiro». É este o currículo que Santana Lopes agora transformou em arma eleitoral: namorou com várias mulheres. Mais de 30? Menos de 100? Só um louco descontrolado traz esta matéria para a campanha, mas de Santana Lopes tudo se pode esperar - eventualmente até um «strip-tease» no comício de encerramento.
Nada mais resta a Santana Lopes. Tem o corpo, e só o corpo, à venda no dia 20 de Fevereiro. Mas o mais provável é que, ao fim da noite, o corpo já seja um cadáver.
 
Oficina do Livro
A campanha de Santana Lopes começa a merecer algum interesse pela sua própria extravagância. Como trata dele, e só dele, acabou por se tornar num romance de aeroporto sobre a loucura e queda de um político. Espero que alguém o escreva ou, pelo menos, que a «Oficina do Livro» o encomende. [Vasco Pulido Valente hoje. Continua aqui.]
 
Os textos de Helena Matos são viagens num carro sem suspensão por uma estrada esburacada; como é natural, a condutora vai o tempo todo aos berros.
 
Estou à direita de Santana Lopes
Vislumbro na posição de Santana Lopes sobre o casamento entre homossexuais um permissivismo que ainda me inquieta. Entre homossexuais não basta: chegou a hora de proibir o casamento tout court.
 
À «extrema-direita radical»
Nem queria ser narcisista. Mas desde que percebi que sou eu que mexo os cordelinhos desta merda toda, confesso que está cada vez mais difícil: só pode ser por isso que tantos bloggers de direita se incomodam com a minha lista de links. Caro Luciano: passas directo para os meus favoritos no dia em que fizeres um blog sobre música; entretanto, terás de te contentar com um ou dois links por ano. Na verdade, nem me parece mal, considerando que escreves no único blog que conheço onde se fazem provocações sem link (e já não é a primeira vez).
Saudades à brigada Rumsfeld, aos homens e mulheres da Vida e – enfim – a todo esse grupo a que, inspirado na fina terminologia do ministro do Mar, talvez deva passar a tratar por «a extrema-direita radical».
 

sábado, janeiro 29, 2005

Um novo blog
Recebi hoje o meu melhor email de sempre no endereço do blog. Dizia assim:

«Caro ivan
Como leitor assíduo de A Praia, envio-lhe um link para um novo blog:
http://a-praia.blogspot.com/
Cumprimentos,
G.»

Depois queixem-se que ando narcisista.
 

sexta-feira, janeiro 28, 2005

0,75% de escândalo
No Anacleto, Luciano Amaral escreve hoje que, se os resultados previstos pela sondagem do Diário de Notícias vierem a confirmar-se no dia 20, o Presidente da República terá tirado «o governo a uma maioria absoluta [para] o colocar nas mãos de um partido com 8% dos votos».
O partido dos 8% é o BE. Nas últimas eleições, o resultado eleitoral do CDS, pilar da dita «maioria absoluta», foi 8,75%. Faz toda a diferença.
 
Um rico chachachá
Não dei por mal empregues os € 2,75 que gastei hoje na Sábado para ler a entrevista feita por Miguel Esteves Cardoso a Francisco Louçã - «um consensual chachachá dos anos 50» - nem sobretudo o texto de MEC que se lhe segue.

«É esse atraso [do país] - e o facto de o Bloco de Esquerda estar empenhado, nas actuais circunstâncias, em partir pedra multissecular para alcançar os mínimos modernos dessa dignidade - que me leva a recomendar que qualquer pessoa de direita que esteja momentaneamente desencantada com os partidos que procuram representá-la não hesite em votar no Bloco, se a alternativa for abster-se ou votar em branco. (...)
Um dia podem finalmente dar-se ao luxo de nos encostarem todos a um muro e fuzilarem-nos mas, por enquanto, ainda falta muito. Fuzilar no sentido mais moderno, claro: enclausurando toda a direita num belo parque natural de Trás-os-Montes com as nossas carrinhas Audi e guarda-roupas, com um fornecimento generoso de drogas leves, para aí podermos pavonear-nos livremente, com as nossas festinhas e revistinhas cor-de-rosa; bandeiras portuguesas e hinos à pátria; tal e qual fazemos agora.»
 
É um privilégio assistir a uma coisa que só acontece de dois em dois séculos.
 
Patriotismo moderno (cortesia de maradona).
 
Apurem-se todas as responsabilidades
Santana Lopes diz que, se os resultados eleitorais de 20 de Fevereiro não corresponderem àqueles que são agora anunciados pelas sondagens, tenciona processar as empresas responsáveis. Mas eu vou mais longe: se os resultados de 20 de Fevereiro não corresponderem aos agora anunciados pelas sondagens - desejo processar o povo.
 
Uma festa modesta
É claro que encaro com muita satisfação as intenções de voto manifestadas na sondagem da Universidade Católica que veio hoje a público. No entanto, se, de acordo com o director do centro de sondagens que a produziu, «esta estimativa não visa prever resultados» - o que seria uma «proposta absurda a quase um mês das eleições e [com] 20% de indecisos» - para que serve? Sobretudo, por que se extrapola das intenções de voto manifestadas agora (23% para o PS, 14% para o PSD) para resultados comparáveis com os de eleições (46% para o PS, 28% para o PSD)? Não faria mais sentido dizermos que, neste momento, há apenas 23% de eleitores que declaram ir votar no PS e 14% no PSD? Ao criar artificialmente percentagens similares a resultados eleitorais, a sondagem não cria uma ilusão sobre o que ao mesmo tempo, no blog, se diz ser impossível prever?

[Mesmo assim, resolvi introduzir a partir de hoje uma nota de optimismo neste blog. Faltam 24 dias para o fim da carreira política de Pedro Santana Lopes.]
 

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Eu não tenho a vossa vida (felizmente)
Talvez já tenham reparado que ultimamente por cada post, digamos, «original» (aham) que escrevo, faço três de mera recomendação de posts dos outros. Como quase ninguém tem pedal para ler a blogosfera ao ritmo a que ela se produz, pensei que seria útil que uma pessoa que lê ajudasse os outros a seleccionar. Neste momento, por exemplo, dentro do Barnabé corre uma polémica que, entre erros & exageros, é provavelmente dos debates de política doméstica mais interessantes que se têm feito por estes dias. Com um bocado de sorte (minha), pode ser que até eu chegue a dar opiniões sobre ela.
 

quarta-feira, janeiro 26, 2005

[De mau gosto]

Paul Newman faria hoje 80 anos.
 
Para quê fazer um blog quando já há isto?
«Um domingo liberal para você, ó excelência!», de Rui Tavares.
«Tudo vira posta», de Rui Tavares.
«Eleitorado alvo: ignorantes em Geografia», de Rui Tavares.
«Choque de titãs», de... deixa ver...
 

terça-feira, janeiro 25, 2005

A Hilarious and True Account of One Man’s Struggle With the Monthly Tide of the Books He’s Bought and the Books He’s Been Meaning to Read


Nick Hornby, The Polysyllabic Spree: A Hilarious and True Account of One Man’s Struggle With the Monthly Tide of the Books He’s Bought and the Books He’s Been Meaning to Read. A collection of fourteen essays of Nick Hornby's celebrated monthly column "Stuff I've Been Reading" from The Believer magazine. Believer Books, 230 pp., £6.73.
 

domingo, janeiro 23, 2005

Uma cruz
Piores talvez que as frases de Louçã no debate com Portas foram as justificações dadas posteriormente pelo cabeça de lista do BE pelo Porto, e pelos números 2, 3 e 5 da lista de Lisboa. Diz João Teixeira Lopes: «Há um limiar de hipocrisia muito forte da parte de Paulo Portas, que constrói uma fachada de conservador, de homem de Estado, mas que depois não a leva até às últimas consequências.» Outras atarantadas cabeças de esquerda vêem-se surpreendentemente invadidas por um anseio de «autenticidade». Ainda viveremos para ver um político de esquerda denunciado por comportamentos pessoais supostamente pouco consentâneos com uma «fachada progressista»? Teixeira Lopes denunciado por ter ido às putas? Por cumprir ele mesmo serviço de acompanhante pago em horário pós-laboral? Por ter encornado a namorada? Por ter deitado fora os postalinhos da Amnistia? Por ser indelicado com tias velhas e vizinhos? Ou pior: nunca terá feito nada que a razão não aconselhe, a moral não recomende?
Se Paulo Portas tivesse ido a Londres com uma amiga para ela fazer um aborto, quando defende que o aborto deve ser proibido, isso teria evidentemente de ser denunciado. Mas a Teixeira Lopes isto não basta. Até onde terá de ir o «recheio» conservador de Portas, para condizer com a «fachada» e satisfazer os anseios de autenticidade? Eis a pergunta a que o sociólogo que encabeça a lista do BE pelo Porto - e que nesta campanha se tinha notabilizado ao afirmar que o BE não conhecerá inibições em apresentar uma moção de censura contra um eventual futuro governo minoritário do PS - adquiriu o direito de responder em monopólio; uma prerrogativa com carácter definitivo.

Tudo isto lembra o velho, o sábio conselho de Álvaro Cunhal: dia 20, é virar a cara para o lado ao fazer a cruzinha.
 
Mantenham-se as distâncias
«Aproximar os eleitores dos eleitos»? Se eu tivesse que estar mais perto dos meus eleitos, provavelmente já nem votar conseguia.
 

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Argumentos
Que espécie de argumento é uma bunda?
 
Filhos não são argumentos
Foi muito perturbador aquele momentinho final do debate de ontem entre Francisco Louçã e Paulo Portas. Ainda mais perturbador se pensarmos que Louçã, depois de ter entrado mal, estava a ganhar largamente o debate difícil com Portas, esmagando-o na discussão «técnica» e não cedendo um milímetro quando Portas procurou intimidá-lo com observações fúteis (e contra-producentes) de carácter pessoal. Ainda para mais, o tema em que Louçã derrapou era o aborto, um assunto em que a posição dele é em princípio confortável, porque tem presumivelmente o assentimento da maioria dos espectadores.
O argumento de que Portas não pode falar no valor da vida porque nunca teve filhos seria, em abstracto, sempre inaceitável. No caso concreto, tem um implícito repugnante: e se a intenção é desmascarar Portas face ao seu próprio eleitorado revelando que ele não se conforma aos preconceitos mais reaccionários da sua área política, é inútil, porque a direita portuguesa tem, valha a verdade, revelado uma assinalável maturidade política ao ignorar estes aspectos do perfil de Portas. Se a alternativa é o moralismo - viva a hipocrisia! Por fim, a invocação por Louçã do «sorriso» da sua filha é demagogia da mais rasteira. Eu, se fosse a filha do Francisco Louçã, que pelas minhas contas deve ter hoje uns dezanove ou vinte anos, certamente não teria achado graça nenhuma. Filhos não são argumentos, nem são propriedade dos pais.
 

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Summers' dream
O Reitor da Universidade de Harvard, Lawrence Summers, é hoje notícia por defender que os rapazes têm maior propensão inata para as ciências do que as raparigas. Summers tentava com isto responder aos que o criticam por contratar cada vez menos mulheres para a sua Universidade. [Sobre este assunto, ler este post.]
Ora Summers, que foi Ministro das Finanças (Treasury Secretary) no último ano da administração Clinton (1999/2000), já tinha suscitado forte polémica em finais de 1991, quando um memorando seu para o Banco Mundial foi tornado público. No memorando, Summers defendia ser racional incentivar a transferência de mais indústrias poluentes para os países pobres, essencialmente por três razões. Primeiro, porque as pessoas só se preocupam com as questões ambientais quando têm os seus problemas básicos resolvidos: só nos preocupamos com um poluente que cause cancro da próstata num país onde as pessoas sobrevivam até à idade em que possam ter cancro da próstata; em países cuja mortalidade antes dos cinco anos é de 200/1000, o problema é muito menos sério. Em segundo lugar, a poluição só é grave em quantidades elevadas, ao passo que em níveis reduzidos tem efeitos negligenciáveis. «Sempre pensei que os países menos povoados de África estão largamente subpoluídos; a qualidade do seu ar é ineficientemente alta se comparada com a de Los Angeles ou a da Cidade do México.» Por fim, o aumento das taxas de mortalidade nos países para onde as indústrias poluentes sejam transferidas é compensador do ponto de vista económico, uma vez que os trabalhadores dos países subdesenvolvidos valem em média economicamente menos que os dos países ricos. «Creio que a decisão de despejar uma carga de lixos tóxicos no país que tenha salários mais baixos assenta numa lógica económica impecável, e que devíamos encarar isso de frente.»
Perante o escândalo, o Banco Mundial alegou que se trava de um documento interno de intenção estritamente irónica. Vale a pena lê-lo integralmente.
 

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Patriotismo moderno
Vou contar-lhe uma cena que me espantou: quando o Jorge Sampaio era presidente da câmara, apareceu na televisão a passear pelo Casal Ventoso com uma série de delegados de Bruxelas. Quando foi abordado por um drogado, disse-lhe: «É pá, afasta-te, que estou aqui a ver se sacamos algum dinheiro a estes tipos.» (...) O Sampaio é muito expressivo de certas coisas portuguesas.

[José Gil, na entrevista à Pública.]
 

sábado, janeiro 15, 2005

Réplica


Tens alguma ideia do que fazem no filme as personagens dessa imagem aparentemente doce que puseste no blog?
 

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Um blog para ajudar a perceber
De máxima utilidade é o blog que o Pedro Magalhães acaba de criar. Daqui até 20 de Fevereiro estaremos inundados de análises, projecções, estimativas, que nalguns casos influirão até nas nossas escolhas, nas nossas opções de voto. Margens de Erro ajuda a interpretar criticamente as sondagens, comparar os seus métodos, estimar a sua fiabilidade: um trabalho que creio que ainda nunca tinha sido feito em Portugal. É um instrumento indispensável para ler criticamente as notícias e as análises que vão sendo publicadas.
 
Dois grandes bloggers e dois excelentes blogs
[enésima celebração da blogosfera]

Bloggers preferidos cá da casa são Filipe Nunes e Rui Tavares - mordazes, inteligentes, informados. Um blog especialmente apreciado é O Céu sobre Lisboa: mantém um tom pessoal, com uma escrita enxuta e um universo próprio, o que era mais característico da blogosfera dos primeiros tempos. Ao fim de um ano e meio, conheço uns noventa por cento dos bloggers da minha lista de links, quando ao princípio não conhecia nem um terço. O Céu sobre Lisboa é dos poucos blogs que para mim é sempre uma novidade, uma surpresa. Outro blog subestimado é o Abrupto, que merece uma palavra, pela regularidade, pela atenção ao detalhe, pela persistência.
 
Começar de novo
Se eu acreditasse na reincarnação, suicidava-me quase todos os dias.
 
Um país com demasiada alma
Nada, neste momento, justifica o projecto de reduzir os requisitos necessários à obtenção de maiorias absolutas. Nas últimas cinco eleições, tivemos duas maiorias absolutas de um só partido (as de Cavaco) e uma quase-absoluta (a segunda de Guterres). Nenhum governo caiu por falta de apoio parlamentar. Vários – agora, como de resto no passado – governos com apoio parlamentar maioritário caíram apesar desse suporte.
A instabilidade política dos últimos três anos não pode ser assacada à ausência de uma maioria de um só partido. O desvario final do guterrismo não foi apenas o orçamento limiano: como explicar, por exemplo, a novela da alcoolemia? O apoio do Parlamento não evitou a saída de Barroso, nem pôs juízo na cabeça de Santana. Dizer que o eleitorado «deseja» mais maiorias absolutas do que aquelas que confere não passa de uma delirante mentira.
A Jorge Sampaio, que agora propõe esta alteração ao sistema eleitoral, sequer se conhece pensamento anterior neste sentido. Nada justifica que se mexa agora na lei. Nada? A não ser isto: Sampaio está cagado de medo das consequências da demissão do governo, que ocorreu por sua própria iniciativa no mês passado.
Ora, não se mudam as regras das regras, os fundamentos do sistema político, para acudir aos «estados de alma» do Presidente da República – ainda que ele seja Jorge Sampaio. Se o eleitorado quiser dar a maioria absoluta a Sócrates e ao Partido Socialista, terá uma boa oportunidade para o fazer no próximo dia 20; se não quiser, não a dará. Esta discussão perfeitamente extemporânea é uma transparente tentativa para obter na secretaria apoio para um projecto político que se teme que não tenha suficiente caução popular. Mas, por grave que seja o problema das contas públicas, uma mudança nos elementos centrais do sistema político com vista a resolvê-lo seria sempre inaceitável.

Sobre isto, ler Filipe Nunes e Rui Tavares. E Vasco Pulido Valente, ontem:

(...) A Pátria aparentemente precisa de "medidas" muito impopulares durante muito tempo, mas ninguém acredita que, no seu estado actual, o PS ou o PSD as tomem. Para resolver esta pequena dificuldade, há duas propostas, não necessariamente incompatíveis. Por um lado, alguma gente moderada e sisuda sugere um "entendimento" ou um "pacto" entre os dois partidos, ou seja, uma espécie de "bloco central" sem a promiscuidade e sem o nome, com o fim inefável de resolver em comum os problemas mais bicudos. Por outro lado, uma certa opinião quer governos fortes com uma grande maioria e um mandato de cinco anos, presumindo ardilosamente que esses governos poderão espremer os portugueses durante os primeiros quatro anos, para os redimir (e lhes caçar os votos) no quinto. A primeira solução exige ao PSD ou ao PS (conforme quem ficar de fora) um espírito de sacrifício nunca visto na vulgar humanidade democrática. A segunda solução só exige um pequeno conserto na lei eleitoral, a favor do PS e do PSD e contra o CDS, o PC e o "Bloco". De qualquer maneira, para estes pensadores, tudo se deve resolver com o PS e o PSD. Basta, suavemente ou à bruta, suprimir ou limitar a oposição para que eles, livres de eleições, se ponham logo a salvar a Pátria. A médio prazo. (...)
 
Deus me livre dos meus amigos
Vinte-e-quatro pessoas para responder a um ataque indigente?
 

terça-feira, janeiro 04, 2005

Dez filmes em 2004

Filme do ano

Foi um ano fraco em termos de cinema – e não parecia: dos meus dez filmes preferidos, os quatro de que gostei mais vi-os logo em Janeiro. Alguns foram estreados ainda em 2003, mas vi-os mais tarde. Mystic River foi a minha reconciliação com Clint Eastwood depois de alguns anos. Lost in Translation, de Sofia Coppola, deixou-me muito satisfeito por confirmar a excelente impressão com que tinha ficado do primeiro filme dela. No entanto, parece-me que ainda vai uma certa distância entre um cineasta completamente maduro, como Clint, e uma realizadora, embora muito dotada, em início de carreira.
Gostei muito de Nemo: do ponto de vista do ritmo narrativo, do humor do texto, da extraordinária beleza dos desenhos. Parece-me que a valorização do filme foi prejudicada pelo preconceito absurdo que continua a existir contra o cinema de animação. (Ainda não vi Os Incríveis.) Fiquei bastante deslumbrado com o documentário sobre crianças de Nicolas Philibert, Ser e Ter: estranho os meus amigos que ainda não o viram, sobretudo alguns que andam para ter filhos.
Entusiasmou-me o humor amargo de Eternal Sunshine of the Spotless Mind, e um dos meus actores preferidos, Jim Carrey, em personagem terno, desgastado e olheirento. Fiquei fascinado com a estética de Kill Bill (de que só vi o primeiro volume), que me pareceu uma experiência de cinema totalmente original (a história não faz nem pretende fazer qualquer sentido). Voltei a encantar-me com Rohmer, desta vez por causa de Agente Triplo, depois da chatice que tinha sido A Inglesa e o Duque. Má Educação, de Almodóvar, não é entre os filmes do realizador espanhol um dos meus preferidos, mas parece-me inegável que ele domina a narrativa e a câmara de forma que está ao alcance de muito poucos entre os cineastas vivos. Assim, todos os filmes de Almodóvar são imperdíveis.
Por fim, Noite Escura interessou-me como nenhum filme português desde Os Mutantes – vai para meia-dúzia de anos. Para perfazer dez, escolheria o documentário Capturing the Friedmans – embora aqui já comece a afastar-me muito dos filmes a que chamaria «meus».
O pior filme do ano – de longe, com distinção – foi Olga, um xarope brasileiro em modelo de telenovela, sobre Olga Benario, a judia alemã que se casou com o dirigente comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes, teve dele uma filha, foi deportada por Getúlio Vargas e acabou por morrer num campo de concentração em plena II Guerra Mundial. Olga, o maior sucesso comercial da história do cinema brasileiro, pertence àquela selecta categoria de filmes que dá para ver que são péssimos pelas imagens que antecedem o próprio genérico inicial; entra para o estreito grupo dos piores de sempre, junto de Adão e Eva, de Joaquim Leitão, Oito Mulheres, de François Ozon, e um ou outro que cometi a injustiça de ter esquecido. Sonny, a estreia de Nicolas Cage na realização, combina tantos defeitos que também merece ser tido em conta.
A decepção do ano foi Fahrenheit 9/11, muito menos divertido do que Bowling for Columbine, formalmente muito chato, abusando da voz off. Os grandes filmes – grandes grandes – foram A Marquesa de O... (Rohmer, em Abril na Cinemateca) e A Quimera do Ouro (Chaplin, Dezembro no Ávila). Juntando a isso Fellini 8 ½, muitas vezes penso que, mesmo quando não há nenhuma estreia para ver em cartaz, Lisboa tem sempre ofertas suficientes.
Das listas que correm (do Público, por exemplo), não vi ainda 2046, porque não sou um convertido a Wong Kar-Wai; nem A Vila de Shyamalan, porque achei Signs detestável; nem Brown Bunny, porque me passou. Tough shit, a minha vida não é isto.
 
Tu é que és genial
A ler:
- «A Inesquecível Socióloga», de Filipe Nunes, no Esplanar;
- «Liedson não se resolve», de Miguel Cabrita, no País Relativo;
- «Jogo Falado», de Pedro Oliveira, no Barnabé;
- «Campos (do mar)», de Luís, nA Natureza do Mal.
 
De maus a péssimos
O texto mais absurdo, talvez mais deprimente e ridículo de um ano excepcionalmente deprimente e ridículo, foi escrito por nada menos de cinco docentes da Faculdade de Economia do Porto e saiu no Público em finais de 2004. Foi comentado em diversos lados, designadamente no Aviz e no Bloguítica; e, embora críticos, estes comentários tinham o inconveniente de parecerem levar o texto a sério. O artigo de Francisco José Viegas no Jornal de Notícias era especialmente perturbador, porque criticava os académicos do Porto como se eles fossem exemplares dos perigos do «utopismo» ideológico; ora, o que eles notoriamente são é exemplares típicos do tecnocratismo cavaquista e do acacianismo saloio. Para os economistas do Porto, «A primeira grande questão a que deve responder-se é esta: porque temos assim tão maus políticos?». Como diz Filipe Nunes no País Relativo, «Depois de ler isto, para mim, a primeira grande questão a que deve responder-se passou a ser esta: porque temos assim tão maus académicos?» A ler.


Na Senda de Melhores Políticos
Por Paulo Amaral de Sousa, José Peres Jorge, Maria do Rosário Moreira, Rui Henrique Alves e Samuel Alves Pereira
(Docentes da Faculdade de Economia do Porto)
Público, 19 de Dezembro de 2004

O grito de alerta que Cavaco Silva difundiu na sociedade portuguesa teve ecos cujas ressonâncias ainda hoje se fazem sentir, pois, na verdade, cada um de nós, no retiro da sua meditação, já tinha visto que a qualidade dos actores políticos se abandona, regra geral, pelo precipício da decadência. O artigo de Cavaco deu voz pública a esta angústia geral. Porém, constatar a realidade de pouco vale, ou, valendo alguma coisa, que valha, ao menos, para induzir em nós uma disposição de combate: é preciso saltar desta letargia depressiva, atacar o problema com o pensamento e actuar em conformidade.
A primeira grande questão que deve responder-se é esta: porque temos assim tão maus políticos? A resposta é complexa: para uns, é a baixa remuneração dos cargos políticos, a qual tende a repelir os bons políticos (porque melhor fariam dedicando-se a profissões mais lucrativas), deixando flanco aberto para o rebanho imenso dos maus políticos; para outros, é a superabundância da mediocridade, a qual grassando na classe política, não a prestigia e, por isso, põe a milhas mesmo aqueles que, menos apaixonados pelo dinheiro, se devotariam a tal actividade unicamente pelo prestígio daí decorrente; outras razões se poderiam aduzir ainda, mas, porventura, menos relevantes.
Para nós, como para John Galbraith - esse grande economista de Harvard que tão profundamente estudou o Poder -, existe uma mais preponderante fonte de poder: a organização. É que ainda nenhum estudo ou inquérito foi feito para que se apurasse o número e a qualidade de todos aqueles que tomam (ou tomariam) a iniciativa individual de se aproximar da política e que são, pura, simples e literalmente, esmagados nas suas mais nobres pretensões por essas gigantescas máquinas que são os aparelhos partidários. Como podem aqueles jovens, os mais capacitados, os mais sonhadores, os mais tocados pela vocação política - que os há ainda muitos - combater sozinhos a barragem intransponível que enfrentam nas portadas dos partidos? Como podem eles se levam como únicos aliados os seus ideais? O pé do elefante é demasiado pesado mesmo para a mais determinada formiga... Por vezes apelam à participação destes sonhadores, sim, mas apenas para fazer número, para fazer de figurantes, em jantares e em festividades do partido...
É aos líderes que compete fazer cair estas barreiras. Têm essa responsabilidade patriótica, esse dever cívico. No entanto, no discurso político oficial e oficioso destes não se lobriga o menor vislumbre de intenção ou de planos de promoção da qualidade no seio das organizações que dirigem. Se eles não tomam a iniciativa de facilitar o acesso de gente de qualidade aos partidos, quem mais a poderá tomar? Os melhores bem que podem acorrer todos aos partidos... mas de lá todos vêm recambiados, pois que não vão em grupo organizado, ou sequer em grupo. Se estivessem organizados, constituiriam uma força política e o problema de que padece a nação portuguesa não existiria.
Talvez o escrutínio público pressione os líderes a deixar vingar os mais competentes nos partidos. Por isso, aqui fica uma palavra de repto à comunicação social: perguntem aos dirigentes partidários, todos os dias, todos os meses, todos os anos, nas televisões, nas rádios, nos jornais, pelas medidas que tomaram, nesse dia, nesse mês, nesse ano, para promover a vinda de novos valores para a vida política.
 
Académicos de intervenção
O Pedro Oliveira escreveu um post sobre isto à mesma hora que eu – mas como estou com problemas de ligação à net, o meu só aparece agora. Através de um anúncio pago na pág. 6 do Economist desta semana, chegamos ambos à Coalition for a Realistic Foreign Policy, um grupo dos mais reputados académicos americanos da área da ciência política e das Relações Internacionais, que publica agora o seu terceiro manifesto desde finais de 2003. Este último texto recolhe a assinatura tanto dos mais famosos «realistas» da disciplina das Relações Internacionais (Kenneth Waltz) como de «internacionalistas liberais» famosos (Michael Doyle); tanto de autores mais progressistas (como Stanley Hoffman ou Anatol Lieven) como de notórios reaccionários (como Huntington). O propósito geral do grupo é combater a tentação imperial da política externa americana, a influência dos neoconservadores e, de uma forma particular, o conceito de «guerra preventiva» contido na Estratégia Nacional de Segurança adoptada pela administração Bush e posto em prática no Iraque. A Coalition parece de resto vir na sequência da posição pública adoptada por um conjunto de professores americanos de Relações Internacionais contra a guerra do Iraque, num anúncio no New York Times nos inícios de 2003; mas, ao passo que nessa altura os subscritores se agrupavam sob uma perspectiva declaradamente «realista», agora existe a preocupação de estender o movimento a académicos de outras orientações teóricas. Daí o nome de «Coligação para uma Política Externa Realística», e não «realista».
O documento fundador do grupo diz, entre outras coisas, o seguinte:

We are a diverse group of scholars and analysts from across the political spectrum who believe that the move toward empire must be halted immediately. We are united by our desire to turn American national security policy toward realistic and sustainable measures for protecting U.S. vital interests in a manner that is consistent with American values.
The need for a change in direction is particularly urgent because imperial policies can quickly gain momentum, with new interventions begetting new dangers and, thus, the demand for further actions. (…)
The defenders of empire assert that the horrific acts of terrorism on September 11, 2001, demand that we assume new financial burdens to fund an expansive national security strategy, relax our commitment to individual liberty at home, and discard our respect for state sovereignty abroad. Nothing could be further from the truth. Following 9/11, we should have refocused our attention on the very real threats facing us in the 21st century. As a nation, we must not allow the events of 9/11 to be used as a pretext for reshaping American foreign policy in a manner inconsistent with our traditions and values and contrary to our true interests. (…) A restrained and focused foreign policy will best protect the liberty and safety of the American people in the 21st century. Conversely, an imperial policy will jeopardize all that we hold dear.

O segundo manifesto, publicado nas vésperas de 2004, defende uma retirada tão rápida quanto possível do Iraque. O texto publicado esta semana no Economist critica a política americana para a questão de Israel e da Palestina:

President Bush (…) routinely conflates our war against al Qaeda with Israel's struggle against the Palestinians. He has forged political links with some of the most intransigent proponents of «greater Israel». He has adopted a policy of benign neglect towards the continued expansion of Israeli settlements on the West Bank. And he recently endorsed Sharon's proposal to unilaterally annex parts of the West Bank in advance of a comprehensive political settlement.
(…) There is much to be said for less U.S. involvement in the Israeli-Palestinian conflict. The historical record suggests that the parties seem to make better progress without us and that excessive reliance on the United States diminishes their responsibility for their own future and teaches others that America is the world's policeman. But there is also something to be said for an active - though evenhanded -American role in solving the conflict.
Unfortunately, the Bush administration's policies combine the worst features of each approach. Bush has strongly intervened, but only to put pressure on the Palestinians, and he has encouraged Ariel Sharon's Likud government to believe that they will not need to make major concessions on the West Bank.

Convém notar que os autores que subscrevem os diversos documentos não são sempre os mesmos.
 

domingo, janeiro 02, 2005

Saudades do Brasil em Portugal
[Versão alargada de um post anterior chamado «sugestões para presentes de Natal (1)»]



Em Dezembro de 1968, Vinícius esteve em casa de Amália. Também lá estavam David Mourão-Ferreira, Natália Correia, Ary dos Santos. Parte do que se passou foi gravado - poemas, conversas, fados. A gravação é precária, sobretudo das partes do Vinícius (os fados da Amália foram regravados em estúdio, numa época em que a voz dela estava provavelmente no seu auge). Vou poupar nos adjectivos: só dizer que o disco inclui uma versão completa do «Dia da Criação» do Vinícius, que eu não conheço gravada em nenhum outro disco, a «Balada do Mangue», o «Monólogo do Orfeu», e «Saudades do Brasil em Portugal», uma espécie de fado feito pelo Vinícius para a Amália. Sobretudo, inclui Vinícius a conversar e a contar histórias.
Na faixa 15, em que Vinícius começa por contar as circunstâncias em que escreveu o samba «pra quê chorar?», uma audição atenta pode ser ligeiramente deprimente, se se reparar no contraste entre a inteligência espontânea do Vinícius e a sociabilidade um pouco burra e forçada do português. Vinícius conta que fez o samba na Clínica de São Vicente, uma clínica do Rio onde todos os anos se internava para tratar do fígado, e que nesse dia havia, na madrugada, um velho morrendo na sala ao lado, rodeado por uma série de velhas lamurientas. Conta a angústia de estar a fazer um samba ao lado de uma pessoa que morria. Até que, diz ele, se deu esta coincidência espantosa: no momento em que acabou de escrever o samba, o velhinho finalmente morreu, e as velhas pararam o seu lamento. É muito fascinante a forma como Vinícius narra este episódio, as suas variantes quase mórbidas, o seu gosto pela ironia, o seu prazer pelos sentimentos paradoxais que estão em jogo. Em contrapartida, os comentários dos portugueses revelam uma incomodidade mal-disfarçada em lidar com os aspectos ambivalentes, com o carácter poético do episódio: comentários de salão, uns risos meio nervosos, uma pressa de concluir e passar à frente.
À medida que a noite avança, tudo melhora, graças ao álcool – Vinícius, Natália Correia e Ary dos Santos estão notoriamente bêbados. Termina em cheio, com uma «mensagem» do Vinícius sobre as impressões que leva de Portugal e do povo português. O que Vinícius diz não é propriamente original - fala da nossa tristeza característica, do nosso carácter contido, formalizado, da nossa dificuldade de relaxar. Mas a forma como o diz é muito comovente, pondo as suas observações em paralelo com as suas próprias dificuldades enquanto ser humano, aquilo que procura na vida, etc. Vinícius muito bêbado é muito tocante.
Também é interessante e divertido o contraste entre o desafinanço completo do Vinícius ao cantar a espécie de fado que escreveu para Amália (faixa 13) e a força da voz da Amália a cantar a mesma música (faixa seguinte). De resto, todas as intervenções do Vinícius neste disco me parecem fascinantes, incluindo estes poemas difíceis, cheios de palavras complicadas cujo significado mesmo conheço mal, mas que sobrevivem para mim por conta da sua mera musicalidade e da forma como o Vinícius os diz.
Um dos aspectos mais peculiares da gravação são as conversas entre estas cinco pessoas, sobretudo quando somos capazes de reconhecer as vozes, os comentários, as maneiras de rir. Para achar graça a estas coisas deve ser preciso conhecer as personagens, ser português. Talvez por isso, o disco é difícil, ou mesmo impossível, de encontrar no Brasil, mas fácil e não muito caro por cá.
 
Balanço & Perspectivas
O sítio adequado para guardar 2004 é junto das fraldas usadas.

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