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A Praia

«I try to be as progressive as I can possibly be, as long as I don't have to try too hard.» (Lou Reed)

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quinta-feira, março 31, 2005

Um email curioso

Natalie Portman (à esquerda), com uma amiga

[email de um leitor]

Você postou há dias uma fotografia de Natalie Portman em Everyone Says I Love You, com um texto que aparentemente não tinha nada que ver. Entretanto retirou-a, também sem explicações. Mas a fotografia fez-me pensar algumas coisas, que não sei se você está disposto a dizer no seu blogue.
O que me despertou a atenção foi que, depois de ter feito um mínimo de pesquisa, descobri que, quando o filme foi feito, Natalie Portman tinha 14 anos. Portman, que agora faz sucesso em filmes como Closer ou Garden State, nasceu no Verão de 1981, e o filme de Woody Allen foi rodado no Verão de 1995. Não sei se você reparou em Portman em Everyone Says I Love You, mas desconfio que sim. Eu reparei e tenho a certeza de que o realizador também reparou.

Natalie Portman, 14 anos. 14 anos. 14 anos. Catorze. Quatorze. 14.

14 anos é de facto antes da 'idade do consentimento', embora ter relações com um menor adolescente não seja o mesmo que pedofilia, coisas que hoje em dia tendem a confundir-se. O que é curioso é que isto acontece ao mesmo tempo em que se vêem cada vez mais imagens sexualizadas de jovens e adolescentes no cinema, na publicidade, por todo o lado. E, segundo este site, um dos livros preferidos de Portman é - adivinhou: Lolita. Mas entre estas evidências (e até a roupa para crianças que imita as modelos da música pop, umbigos à mostra e calças descaídas na cintura) e o discurso sobre estes assuntos há um desfasamento enorme. O tema está envolto numa névoa de hipocrisia, e ninguém diz duas frases sobre ele a não ser em tom sempre muito circunspecto e auto-vigilante.
Ora, o problema é delicado mas não é insolúvel: a Natalie Portman era muito atraente com 14 anos. Se algum adulto tivesse tido relações sexuais com ela na época, isso seria evidentemente crime. Mas não desmente o facto de que a Natalie Portman era uma miúda incrivelmente atraente com 14 anos.
Não sei por que é que você retirou a foto, mas pode voltar a colocar. E digo mais: pode mesmo olhar para aqueles joelhos, que não vai preso por isso.
 

quarta-feira, março 30, 2005

Portanto, é assim
Ao fim de uma semana, já era mais que tempo de mudar a música. Mas (1) encontrar uma música no lycos dá uma trabalheira e (2) eu não consigo fartar-me de ouvir o João Gilberto a cantar isto.
 

terça-feira, março 29, 2005

Eu já devo ter dito isto uma dúzia de vezes
Não conheço, ou suponho que não conheço, o seu autor; nunca troquei, ou suponho que nunca troquei, duas palavras com ele (embora por todas as evidências vivamos no mesmo bairro). Mas se eu tivesse que escolher um blog só era este. Com muito amor a toda a minha restante lista de links, mas tinha mesmo que ser este.

(Já agora, para o caso de andarem distraídos, demasiado ocupados a lamentar o facto de que a blogosfera agora não tem nada para ler, etc., etc.: conhecem a história do rex?)
 
Os jornais ingleses são uma bela porcaria
[Este post é para o maradona, coitadinho, que não recebeu o exemplar do Economist esta semana.]

No último Economist aparece um texto que eu achei muito curioso - e que transcrevo integralmente porque só está acessível a assinantes. É um texto sobre o estado da imprensa britânica, e que diz uma coisa que vai inteiramente contra o senso comum dominante: os jornais ingleses são uma grande porcaria. Eu já andava a dizer isto há quase dez anos, mas agora é oficial: está no Economist. (Exceptuam-se o Financial Times, que em todo o caso é demasiado «técnico» e um bocado chato, e o Economist, evidentemente, mas que não é em rigor um jornal.)
A segunda coisa curiosa do texto é que, na opinião do Economist, a causa da decadência dos jornais ingleses é... o excesso de concorrência no mercado. Ups. Ora vejam lá:

Stop press
Mar 23rd 2005
From The Economist print edition
Why top universities are getting interested in journalism
OXFORD UNIVERSITY is planning to set up a journalism institute. The scheme is not an attempt to cash in on the popularity of “media studies”, but a high-minded plan to use the university's clout to improve standards in British journalism. This week, the vice-chancellor set up a working group to get the idea going.
The idea has some heavyweights behind it—Timothy Garton Ash, an Oxford professor and journalist, Tim Gardam, a former director of programmes at Channel Four and now principal of St Anne's college, the Reuters Foundation, an educational charity linked to the news agency, Alan Rusbridger, editor of the Guardian, and John Lloyd, a senior journalist at the Financial Times (which owns 50% of The Economist).
All believe that there is a problem with the quality of British journalism. One issue is its silliness—the obsession with celebrity gossip and manufactured scandal that has spread from the popular papers to the qualities. Last week, the British Press Awards, the industry's annual shindig, gave its “Newspaper of the Year” award to the country's most downmarket Sunday paper, the News of the World; “Scoop of the year” went for a story about a footballer's adultery, gained largely by use of the editorial cheque-book. Drunkenness at the awards, and their downmarket tone, have led 11 editors to say they will boycott them in future. Some backers of the new Oxford outfit would like it to have its own awards, on the lines of America's Pulitzer prizes.
Another issue is intrusion. The Press Complaints Commission, a toothless official watchdog, recently censured the Mail on Sunday for a story it wrote about a government minister and his wife who adopted a baby in America. The newspaper argued, in all seriousness, that by speaking to a family friend it had gained consent to publish details of the couple's medical history. A third problem is accuracy. Lies of the sort the editor of the New York Times resigned over in 2003 barely raise an eyebrow in Britain.
Why is the British press so lowbrow? Presumably because of the shape of the newspaper market. American papers enjoy local quasi-monopolies, and can therefore afford to be high-minded. In Britain, ten national papers slug it out daily, competing for readers who seem more interested in exciting stories than accurate ones, and in sensationalism than in sensitivity. Editors mostly ignore criticism, or retaliate by hurling mud at critics. In this atmosphere, having a finely developed ethical sense may be a handicap.
Oxford is not the only institution interested in this issue. The London School of Economics is the best-known of several universities that are beefing up their media-studies programmes.
Will academic censure temper the drive for circulation? Just possibly. Regular rubbishings by high-profile critics may threaten commercial interests. After it was revealed that the editor of the mass-market Daily Mirror had published faked photos purporting to show British troops abusing Iraqi prisoners, shareholders took the view that this was bad for the product and got him sacked.
Anyway, the newspaper business has never been entirely commercial. Owners' vanity plays a part, too. If the academics can prick the proprietors' amour propre, there's a chance they might change the British press.
 

segunda-feira, março 28, 2005

Prestem atenção a este blog, que, para variar, não é nada queriducho.
 

domingo, março 27, 2005

Ar Puro: Sisley
 
Ar Puro: Sisley
 

quarta-feira, março 23, 2005

Aqui desde Copacabana


Deu uma trabalheira, mas com a ajuda incrível, inexcedível, da Charlotte, consegui achar este mp3 e pôr música no blog. Parece-me que era difícil começar melhor. «Meditação» foi composta por Tom Jobim e Newton Mendonça, um músico que morreu de ataque cardíaco num bar, aos 33 anos, em 1960, sem ter tido verdadeira oportunidade de desfrutar do sucesso da Bossa Nova. A voz é João Gilberto, no concerto com Stan Getz no Carnegie Hall em Outubro de 1964.
Da letra desta canção eu já tinha feito post, na minha última noite no Rio de Janeiro em Agosto de 2003, em cinco minutos, numa saltada extemporânea a um cibercafé, entre um excelente jantar e uns cálices de cachaça, ali em Copacabana, com a Mónica, o Michael e o Zé Dudu de Virginia, USA.
 

terça-feira, março 22, 2005

Ao serviço do leitor


Instigado por um leitor que se queixou, justamente, de que eu deveria escrever mais sobre relações internacionais - e não, subentende-se, sobre as outras porcarias -, fui fazer uma pesquisa na net sobre Kennan, diplomata e autor norte-americano que morreu na semana passada aos 101 anos e que, apesar da sua relevância na história política do século XX (em particular na Guerra Fria), mereceu pouca atenção dos jornais portugueses. Não escrevi nem vou escrever eu mesmo sobre Kennan, pela prosaica razão de que não o li directamente, mas apenas a partir de terceiros. No entanto, parece-me que ficar pelo menos com uma ideia sobre o pensamento e o papel histórico de George Kennan nos ajuda a perceber as virtudes e os limites do pensamento realista-conservador em Relações Internacionais; e isto é importante porque neste, como noutros momentos históricos, há muitos pontos em que a esquerda e este tipo de conservadores convergem. «He [did] avoid talking with people who lack at least a good basic knowledge of history.»
Talvez valha a pena esperar pelo obituário do Economist na quinta-feira, mas na net encontrei um texto longo, que achei bastante interessante, no New York Times; outros dois mais curtos, mas bem feitos, no Washington Post e no Milwaukee Journal Sentinel; um site muito completo; uma série de artigos de (e um sobre) Kennan na Foreign Affairs; e o artigo da wikipedia onde se encontram todos estes links e ainda alguns outros.
Por fim, se querem ter uma ideia de como seria um post muito bem feito sobre este assunto num blog, check this.

PS. O Pedro Oliveira escreve um post que justamente assinala tanto aspectos que a esquerda tende a achar positivos no pensamento realista-conservador de Kennan como os negativos. É claro que o desafio é saber em que medida é que se pode guardar uns sem os outros.

PS2. O obituário do Economist.
 
Desconhecido nesta morada
Recebo muitos emails por erro no destinatário. O curioso é que vêm endereçados em meu nome.
 
Rescaldo do jogo
Há uma substituição que não se compreende que o Sporting não tenha feito quando o Porto passou a jogar com nove: a substituição do treinador.
 
A evolução dos blogs
blogs com tanto sucesso que são transformados em livro. Há outros que são transformados em calendário de tournée.
 

sexta-feira, março 18, 2005

Linha verde
Quem é de Lisboa conhece isto.



[via s ª r a]
 

quinta-feira, março 17, 2005

Lealdade orgânica
Mas com autonomia no campo literário.
 
Habituem-se
Acho que nunca tinha prestado atenção ao Mar Salgado. Mas, se o Pedro Caeiro escreve assim, teremos que passar a fazê-lo.
 

terça-feira, março 15, 2005

Ó faxavor
Alguém se importa de pôr aí o Brel a cantar Au Printemps, que este blog é mudo?
 
Celebração da primavera, com uma nota de otimismo
Só para assinalar que este absurdo, este estrambólico inverno acabou ontem. Menos um a contar para o fim.
 

segunda-feira, março 14, 2005

1983

Diane Lane e Nicolas Cage em Rumble Fish (1983)

Os intelectuais são insuportáveis. Não têm inocência, excepto em relação ao passado.
 
Sociologia Política I
O poder é o lugar onde não se atende o telefone.
 

sexta-feira, março 11, 2005

Queridos Anos 80
Esta noite, festa dos Quase Famosos no Europa, ao Cais do Sodré (Caxudré). Quem quiser encontrar-me, vou estar junto ao bar, na ponta, de chapéu de palhinha na cabeça e sobretudo loden verde.
 

quinta-feira, março 10, 2005

Bipolar
Diz Fulano: «Para Sicrano, as coisas dividem-se em duas categorias: ou são fantásticas, extraordinárias, excelentes, ou são uma merda sem redenção. Qualquer categoria intermédia é virtualmente inconcebível.»
 

quarta-feira, março 09, 2005

Ir ao cinema
1. Pode-se ir ver o mesmo filme dias seguidos, como quem visita uma pessoa de família?

2. Sempre me espantam muito os cinéfilos para quem é completamente indiferente o lugar na sala. Para mim tem de ser - ou deve - entre a quarta e a sexta fila, a contar do ecrã, ao meio: suficientemente longe para não cansar a vista, suficientemente perto para ter apenas filme no campo de visão.

3. Tenho duas alturas para sair de um filme: em qualquer momento depois dos cinco minutos (se se tratar de uma merda, o que geralmente se percebe depressa), ou depois de terminado o genérico final. Antes do fim do genérico final, deixar a sala é sempre sair a meio (das letrinhas, da música, etc.): implica uma interrupção.
 

segunda-feira, março 07, 2005

Aforismo para uso pessoal
Nem um sms, quanto mais um telefonema.
 
Para todos
Meia-hora na net para encontrar uma foto de Helen Svedin que fosse apresentável. Quem faz um blog que é lido pela família acaba a fazer um blog de tipo familiar.
 
Pensamento político do Eng. Sócrates
O modelo nórdico


A modelo nórdica
 

quinta-feira, março 03, 2005

Latinoamérica
Eu hoje acordei assim, tenho acordado todos os dias assim, a ir ver o que é que a Bomba nos trouxe da América Latina. Hoje talvez ainda mais bonito do que nos outros dias, este depoimento gravado de Borges.

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