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A Praia

«I try to be as progressive as I can possibly be, as long as I don't have to try too hard.» (Lou Reed)

teguivel@gmail.com

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segunda-feira, maio 30, 2005

Umbiguismo hardcore
Escrever a palavra «praia» no google e clicar «I'm feeling lucky».
 
Spanglish
De cada vez que pego na Atlântico, fico com a impressão de estar a ler más traduções do inglês. Vejamos os dois primeiros textos que me calhou ler neste número. Pág.50, João Tordo: «Só mais de setenta páginas depois do [sic] livro [Junky, de William Burroughs] começar, aprendemos que a personagem principal, William Lee, tem uma mulher». «É ainda no prefácio que Burroughs expõe a sua atitude nada apologética em relação ao uso das drogas». (O autor pretende, evidentemente, dizer o oposto.) Pág.13, António Araújo: «É tão grande o desfasamento entre a justificação teorética do 'direito à pornografia' e a realidade dos factos que aquela justificação começa a revelar-se ilusória ou fantasiosa.» (Como pergunta o google: «Será que quis dizer: teórico»?)
Em contrapartida, no número 1 Soares Silva foi convertido em português de Portugal, talvez para o caso de alguém não perceber o sotaque do Brasil. Esta ansiedade com o português «bastardo», ao mesmo tempo que se incorpora o inglês à bruta, parece-me muito sintomática. Não é apenas na forma, mas também na substância, que a revista é um inglês mal traduzido. E o pior é que suspeito que se, por hipótese, a Atlântico fosse publicada em inglês, eu acabaria com a impressão de estar a ler um português mal traduzido.
 
Adendas ao post anterior

Scrap it

(1) A ler todos os dias, como eu faço, o blog do Pedro Magalhães, e hoje, especialmente, esta curta observação.

(2) Sendo em princípio a favor da Constituição Europeia para favorecer a união política, parece-me, por isso mesmo, que na situação presente talvez seja melhor deitá-la no caixote do lixo. Nem que isso me obrigue a votar não no referendo que se anuncia para Portugal. É preferível conservar a salada dos tratados anteriores a «avançar» com a UE sem a França. Por outro lado, fazer alterações cosméticas ao Tratado para o enfiar pela goela dos franceses tão pouco me parece boa ideia: pelos tempos mais próximos, a credibilidade democrática da Constituição estará manchada.
 
O caminho referendário para a união europeia


[Fragmento do artigo de Pedro Magalhães (29.5.2005), que convém ler no seu conjunto mas só está disponível online para assinantes do Público]

«Ao contrário do que sucede nas eleições legislativas - onde identificações ideológicas e partidárias dão robustez ao voto - as tendências do «Sim» e do «Não» ao longo do tempo são directamente atribuíveis a uma longa colecção de «factóides» políticos. Jospin fala na televisão e o «Sim» sobe. Há protestos sobre o «trabalho grátis» na segunda-feira do Pentecostes e o «Sim» desce. Chirac dirige-se ao país em apelo desesperado e o «Não», que já parecia decidido, volta a estar em causa: duas das três derradeiras sondagens realizadas nos últimos dois dias da campanha (TNS Sofres e CSA) dão «empate técnico». Num cenário destes, atirar moedas ao ar é quase tão bom como fazer inquéritos.
Mas esta quase aleatoriedade das intenções de voto e dos resultados não é apenas um problema para as sondagens. Qual é o projecto político que prevalecerá hoje depois de uma vitória do «Sim» ou do «Não» em França? Que informação concreta é transmitida ao poder político? Mais «liberalismo»? Ou mais «estatismo»? Abertura ou fechamento à Turquia? (...) Pró- ou anti-integracionismo? (...) A partir de amanhã, haverá com certeza uma legião de políticos e comentadores que se encarregarão da preciosa tarefa de nos ilustrar sobre estas matérias. E é garantido que alguma versão dos acontecimentos acabará por prevalecer. Mas sabendo o que sabemos de antemão sobre as motivações dos eleitores, poderá essa versão fazer algum real sentido? E se a resposta for não, então para que servem, exactamente, estes referendos?»

Outra: para que servirá o referendo em Portugal, daqui por quatro meses e picos? Para sustentar a fantasia de que a Constituição pode subsistir se assim o quisermos, mesmo que a França a tenha rejeitado? Não nos arriscamos a acabar na situação, muito irónica, de ter pela primeira vez a oportunidade de votar sobre um tratado europeu no momento em que esse tratado já estará, para todos os efeitos práticos, morto? De sermos finalmente interrogados, para descobrirmos que a questão já nem sequer existe?
Mas hoje é ainda a noite em que, excepcionalmente, o Abrupto se apresenta numa nota de lirismo: «Está aberto o caminho [para uma Europa] mais democrática, mais solidária, menos ambiciosa e mais prudente.» Bonito programa; há objecções?
 

domingo, maio 29, 2005

Disse um dos cavalheiros com energia
Cortesia de dois bloggers que não vou nomear para não os meter em sarilhos, aqui fica a referida crónica de João Carlos Espada de 30 de Abril, a página Mar Adentro do «Actual» do Expresso. Espero que se divirtam.


Uma Inglaterra que já não é?
João Carlos Espada
Expresso, 30 de Abril de 2005

Profundo sentido de decência «William Deakin representou a Inglaterra que todos nos habituámos a admirar. Uma Inglaterra livre e ordeira, orgulhosa mas discreta, polida e gentil, uma Inglaterra, sobretudo, com um profundo sentido de decência. Numa palavra, William Deakin representou uma Inglaterra que já não é.»
Estas foram as palavras emocionadas de Lord Dahrendorf - cidadão britânico, ex-ministro alemão e ex-comissário europeu da antiga República Federal da Alemanha - na cerimónia de homenagem do St.Antony's College, de Oxford, ao seu fundador, recentemente falecido, William Deakin.
No vasto salão do colégio, um longo silêncio envolveu as centenas de participantes na cerimónia. E as palavras de Dahrendorf ecoavam pesadamente sobre nós: «An England with a deep sense of decency. An England that no longer is.»

25 de Abril na velha Inglaterra Comemorei os 31 anos da nossa democracia na velha Inglaterra, com um grupo de mestrandos e doutorandos do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa que estudaram ou ainda estudam em Oxford, ao abrigo de um programa de intercâmbio entre aquelas universidades - um programa, por sinal, muito raro na Universidade de Oxford.
Na sexta-feira, 22 de Abril, jantámos e pernoitámos no Oxford and Cambridge Club, de Londres. No sábado de manhã, visitámos os Cabinet War Rooms e o Churchill Museum. À tarde, já em Oxford, assistimos à homenagem a William Deakin, no St. Antony's. Ao jantar, no Old Bank Hotel, da High Street, discutimos intensamente pela noite dentro «a Inglaterra que já não é» - ou, talvez, o Ocidente que já não é.
No domingo, tomámos o autocarro para Blenheim, o palácio dos duques de Malborough, antepassados de Winston Churchill. Foi neste berço grandioso - talvez excessivamente grandioso para o gosto discreto inglês - que Winston nasceu, por acaso e prematuramente, a 30 de Novembro de 1874.

A glória do jardim Foi uma prolongada visita à velha Inglaterra. Aquela que, como recordou Dahrendorf, nos habituámos a admirar enquanto símbolo da democracia, da liberdade ordeira e, de novo Dahrendorf, de um profundo sentido de decência.
É inútil tentar definir este profundo sentido de decência na linguagem racionalista das ideologias modernas. É mesmo possível argumentar que o apogeu das ideologias na mente moderna é o que subjaz à erosão da Inglaterra de Dahrendorf. Ao contrário das ideologias modernas, a velha Inglaterra não se dá a conhecer em teorias abstractas alegadamente assentes em premissas racionalmente demonstradas. Ela revela-se gradualmente apenas àqueles que sabem ser tocados por ela - e que procuram então descobri-la, sem querer dominá-la com teorias abstractas. Rudyard Kipling captou em boa parte este mistério:

«Our England is a garden that is full of stately views,
Of borders, beds and shrubberies and lawns and avenues,
With statues on the terraces and peacoks strutting by;
But the Glory of the Garden is more than meets the eye.»

A erosão das maneiras Se há um aspecto onde a erosão da Inglaterra de Dahrendorf é hoje visível a olho nu é, sem dúvida, o das maneiras. Até no Oxford and Cambridge Club, alguns sócios protestam - até agora apenas com êxito ao pequeno-almoço - contra a obrigatoriedade de usar casaco e gravata. Edmund Burke insistia que «as maneiras são mais importantes do que as leis. Delas dependem, em grande parte, as leis. A lei toca-nos apenas aqui e ali, de vez em quando. As maneiras é o que nos agride ou conforta, nos corrompe ou purifica, nos degrada ou enobrece, nos barbariza ou refina, através de uma operação constante, firme, uniforme e insensível, como o ar que respiramos. Elas dão toda a cor e forma às nossas vidas. Consoante a sua qualidade, elas ajudam a moral, fornecem-na, ou então destroem-na completamente».

Ditadura relativista Na segunda-feira, 25 de Abril, de novo em Londres, participei num almoço-debate sobre a eutanásia no «think-tank» Politeia. As palavras de Dahrendorf, ausente neste debate, ressoaram de novo na minha memória à medida que o debate se desenrolava. A maioria dos presentes mostrava-se muito preocupada com o subtil crescimento de «uma cultura de morte» que hoje banaliza e tenta destruir o que antes era um absoluto moral: o respeito pela vida. Um dos intervenientes - que, de acordo com as «Chatham House Rules», não estou autorizado a identificar - foi mesmo ao ponto de dizer o seguinte:

«A banalização da vida é o primeiro passo para a banalização do mal. Os alemães que se recordam do nazismo sabem isso muito bem, e não é por acidente que na Alemanha existe uma enorme resistência à legalização da eutanásia. Se a eutanásia é hoje apresentada como banal pelos 'media', isso deve-se à feroz destruição dos nossos padrões morais que tem sido operada pela nova ditadura politicamente correcta: a 'ditadura do relativismo', se os cavalheiros me permitirem citar o novo Papa da Igreja católica romana.»

Secularistas evangélicos O que se seguiu foi um pouco surpreendente. Não só os cavalheiros permitiram que o Papa Bento XVI fosse citado, como vários intervieram depois para o citar. «O relativismo está a destruir o Ocidente, porque prega a equivalência de todos os padrões morais, impedindo a discussão sobre os padrões. Não foi nesta Inglaterra relativista que eu fui educado», disse um dos cavalheiros com energia. «Na verdade, estamos submetidos a uma ditadura dos 'media' politicamente correctos: se alguém fala em moral, para nem dizer em religião, acusam-no de fundamentalista e extremista, e ele é obrigado a calar-se. É acusado de fundamentalista evangélico, mas, na verdade, o que hoje temos é secularistas evangélicos que proíbem a discussão da moral e da religião na praça pública.»
 
Eu compreendo
Estou com o senhor Primeiro-Ministro: já calculava que este ano o défice seria grande, mas as proporções que está a atingir não as podia ter imaginado. Naturalmente, vou ter que quebrar promessas.
 
A restauração das maneiras
Tenho para mim que João Carlos Espada é, presentemente, o único cultor português da ironia queirosiana. Talvez não seja (ainda) acertado comparar Espada ao grande romancista português do século XIX do ponto de vista da excelência linguística; mas ninguém como ele, semana após semana, na última página do suplemento «Actual» (indispensável) do jornal Expresso (imprescindível), cultiva no nosso país a ironia subtilíssima, frase a frase, em crescendo do início para o fim do texto. Folgo em notar que outros, como Rui Tavares, parecem já ter-se dado conta do mesmo.
Desta semana - «Uma cultura de respeito», um texto que em todo o caso não é dos seus mais brilhantes - retiro por exemplo o seguinte:

Blair soma e segue. Enquanto a Alemanha e a França se distraem com inimigos imaginários, o primeiro-ministro inglês escolhe inimigos reais. No discurso da Rainha, a tradicional apresentação do programa do primeiro-ministro, Sua Majestade apresentou como prioridade a restauração de «uma cultura de respeito» no Reino Unido. Os inimigos, aqui, são bem reais: o crime e a insegurança nas ruas, a indisciplina nas escolas, a má-criação e a grosseria, a erosão das maneiras que sempre distinguiram os ingleses.
Depois de aqui ter escrito, há algumas semanas, um artigo sobre «a Inglaterra que já não é» [30 de Abril, um dos mais notáveis - felizmente recortei-o], mal posso acreditar que o primeiro-ministro britânico tenha escolhido como sua prioridade a restauração das maneiras. Mas a verdade é que escolheu.

Os cínicos dirão que a comparação entre Espada e Eça de Queirós é desajustada, porque Espada não compreende a sua própria ironia e é, basicamente, um parvalhão. A esses, recordarei o seguinte: primeiro, chamar parvalhão a uma pessoa é socialmente mal compreendido, ainda que seja a João Carlos Espada; segundo, que a obra vive e perdura para além das intenções, sempre insondáveis, do seu autor.
Desfrutemos pois o Expresso como nos aprouver. Encontro todas as semanas nas páginas deste jornal razões para um gosto renovado. E juro, juro pela minha saúdinha que aguardo ansiosamente pela publicação em livro das crónicas do Professor Espada, a obra mais esperada desde o livro do Pipi.

PS. Se algum gentil leitor tiver a assinatura eletrónica do Expresso e quiser fazer o favor de me enviar o dito texto de 30 de Abril, eu cumprirei a missão filantrópica de o divulgar aqui integralmente, pirateando-o ao serviço de todos.
 

terça-feira, maio 24, 2005

Manhã
Estava à espera de dias assim, em que nem de madrugada precisamos de fechar a janela, para pôr a tocar esta gravação de 1959 do João Gilberto (que está compilada, com todas as outras canções do período 1958-61, no duplo cd O Mito).

Manhã de Carnaval
(Luiz Bonfá / Antônio Maria)

Manhã, tão bonita manhã
Na vida uma nova canção
Cantando só teus olhos
Teu riso tuas mãos
Pois há de haver um dia
Em que virás

Das cordas do meu violão
Que só teu amor procurou
Vem uma voz falar
Dos beijos perdidos
Nos lábios teus

Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz na manhã desse amor
 

segunda-feira, maio 23, 2005

Cheerleaders (2)


Da secção de cartas do Economist:

SIR – I agree with the state representatives of Texas: “overtly sexually suggestive” routines by cheerleaders must be stamped out (“Has it come to this?”, May 7th). Where do I apply for the post of “cheerocrat” to monitor such practices? Such is my stance on this subject I would be prepared to offer my services without charge.

Tim Kilpatrick
Blackpool, Lancashire
 

domingo, maio 22, 2005

Cheerleader


Cada clube tem a cheerleader que merece.
 

quinta-feira, maio 19, 2005

Esquivo
Há coisas que tenta esconder dos outros. Mas não sabe quais são.
 
Filme da época
«Estávamos envergonhados com o que fizemos na primeira parte. Mas decidimos reentrar no jogo e tentar perder com honra e vergonha na cara
[Daniel Carvalho, jogador do CSKA, a seguir à final da Taça UEFA em que fez três assistências para golo e foi eleito 'o homem do jogo'.]

«Eles empataram num lance em que o defesa nem sequer tirou os pés do chão, fizeram o 2-1 em contra-ataque e, quando tentávamos reequilibrar, sofremos o 3-1 contra a corrente do jogo. O Sporting foi uma equipa que assumiu o jogo desde o primeiro minuto. Se calhar, mostrámos um excesso de audácia. Tenho um grande orgulho em tudo o que fizemos até hoje.»
[José Peseiro, treinador do Sporting, no final do mesmo jogo.]
 

terça-feira, maio 17, 2005

A Praieira - um conselho, aliás, dois
Uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor. Mas, vão por mim, não a bebam em frente ao computador enquanto tentam fazer o download da música.



[Chico Science & Nação Zumbi, no álbum Da Lama ao Caos, 1994]

A Praieira
No caminho é que se vê a praia melhor pra ficar
Tenho a hora certa pra beber
Uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor
E eu piso onde quiser, você está girando melhor, garota
Na areia onde o mar chegou, a ciranda acabou de começar, e ela é!
E é praieira!
Segura bem forte a mão
E é praieira!
Vou lembrando a revolução, vou lembrando a revolução
Mas há fronteiras nos jardins da razão
 
Lieven
Coisas várias me mantêm afastado deste blog. Mas vou deixar aqui uma larga leitura, para que se entretenham. É uma entrevista com Anatol Lieven, que me pareceu extremamente interessante, em especial as primeiras e as últimas páginas. Lieven, inglês, é actualmente um especialista do Carnegie Endowment em Washington, depois de ter sido, mais ou menos entre os 20 e os 40 anos, correspondente de jornais britânicos como o Times e o Financial Times, especialmente na Ásia. Conhece bem a Ásia Central, a Rússia, a Ucrânia, o Cáucaso, o Afeganistão, o Irão, o Paquistão, a Índia. Conversar com ele é fascinante porque é o protótipo do jornalista que passou muito tempo no terreno, viajou com olhar atento, falou com muitas pessoas, informado por muitas leituras; quase o oposto do académico que vive encerrado no mundo universitário. E digo isto porque tive a experiência, porque o encontrei na semana passada em Lisboa, tive o privilégio de o ouvir falar durante seis largas horas, graças aos bons contactos do Pedro Oliveira. Não fiz foi uma entrevista tão boa como a do Asia Source, mas isso, claro, o defeito é meu, ou a virtude é deles.

You argue in your book, America Right or Wrong: An Anatomy of American Nationalism that American policies following the terrorist attacks on September 11th, 2001, "divided the West, further alienated the Muslim world and exposed America itself to greatly increased danger." You suggest that this response must be understood in the context of the particular character of American nationalism. What are the features of American nationalism that are important in this respect?

In the book I suggested that there are two principal features of American nationalism, both of which were evident in the response to 9/11. These are, in spirit, to a great extent contradictory but they often run together in American public life. The first is a certain element of American messianism: the belief in America as a 'city on the hill', a light to the nations, which usually takes the form of a belief in the force of America's example. But at particular moments, and especially when America is attacked, it moves from a passive to an active form: the desire to go out and actually turn the world into America, as it were, to convert other countries to democracy, to the American way of life.
In principle, the desire to spread democracy in the world is of course not a bad thing. But there are two huge problems with it. One is that because this element of American messianism is so deeply rooted in American civic nationalism, in what has been called the "American Creed", and in fundamental aspects of America's national identity, it can produce - and after 9/11 did produce - an atmosphere of debate in America which is much more dominated by myth than by any serious look at the reality of the outside world. Myths about American benevolence, myths about America spreading freedom, myths about the rest of the world wanting America to spread freedom, as opposed to listening to what the rest of the world really has to say about American policies.
The second feature that cuts across this American messianism, however, is what I have called the "American antithesis", that is to say, those elements in the American nationalist tradition which actually contradict both American civic nationalism and the American Creed. These elements, which are very strong in parts of America, include national chauvinism, hatred of outsiders, and fear and contempt of the outside world. This is particularly true in the case of the Muslim world, both because America has been under attack from Muslim terrorists for almost two generations now, but also because of the relationship with Israel, and the way in which pro-Israeli influences here have contributed to demonizing the Muslim world in general.
This results in an incredible situation: on the one hand - and I am speaking here particularly of the neo-cons - the Bush administration wants to democratize the Muslim world, while on the other, neo-conservatives do not even bother to hide their contempt for Muslims and Arabs. Sometimes you hear, and even read, phrases like, "The only language that Arabs understand is force," "Let them hate us so long as they fear us" and so on. This is utterly contradictory: people saying they want to democratize the Arab world but displaying utter contempt for Arab public opinion. Of course this is not just a moral failing, or a propaganda failing. It also leads to practical disasters, like the extraordinary belief that you could pretend at least to be introducing democracy, and on the other hand, you could somehow impose Ahmed Chalabi on Iraqis as a pro-American strongman, and that somehow the local population would line up to salute you and happily accept this.
So these are very dangerous aspects of American nationalism. And these aspects by the way used to be very sharply and profoundly analyzed by great figures in the American intellectual tradition, conservative as well as liberal: figures like Reinhold Niebuhr, Richard Hoftstadter, Louis Hartz, George Kennan and William Fulbright. Though most of these figures were strong anti-Communists, they directed their critique at the reasons for the particular anti-Communist hysteria of the early 1950s, and at the reasons which led America to become involved in the war in Vietnam. And their arguments and insights are of tremendous importance to America today in understanding American behavior after 9/11.
But one of the striking and tragic things about the debate leading up to the Iraq war - although one can hardly call it a "debate" - was that the vast majority of it, outside certain relatively small left-wing journals, was conducted with almost no reference to the genesis of the Vietnam war, the debates which took place then, and the insights which were generated about aspects of the American tradition. Instead of analyzing what it was about their own system which was pulling them in the direction of war with Iraq, too many members of the American elite, including leading Democrats as well as Republicans, talked only about the Iraqi side.
[continua]
 

segunda-feira, maio 09, 2005

Political Compass
Eu sou a extrema-direita do Bloco de Esquerda. Na clandestinidade.
 

domingo, maio 08, 2005

Esvaziar o balão
O que é o prazer de ganhar, comparado com o gosto de os ver perder?
 

sábado, maio 07, 2005

Capitalismo de casino
O meu bilhete já vale 500 euros.
 
Pros amigos
Logo eu?
(Chico Buarque, 1967)

Essa morena quer me transformar
Chego em casa, me condena
Me faz fita, me faz cena
Até cansar
Logo eu, bom indivíduo
Cumpridor fiel e assíduo
Dos deveres do meu lar
Essa morena de mansinho me conquista
Vai roubando gota a gota
Esse meu sangue de sambista

Essa menina quer me transformar
Chego em casa, olha de quina
Diz que já me viu na esquina
A namorar
Logo eu, bom funcionário
Cumpridor dos meus horários
Um amor quase exemplar
A minha amada
Diz que é pra eu deixar de férias
Pra largar a batucada
E pra pensar em coisas sérias
E qualquer dia
Ela ainda vem pedir, aposto
Pra eu deixar a companhia
Dos amigos que mais gosto

E tem mais isso:
Estou cansado quando chego
Pego extra no serviço
Quero um pouco de sossego
Mas não contente
Ela me acorda reclamando
Me despacha pro batente
E fica em casa descansando
 

sexta-feira, maio 06, 2005

Pedido de gaja
[do cantinho da misoginia]

- «Faz-me um link, mas com meiguice.»
 
Atlético
É certamente o melhor post do ano, este que o Mexia escreveu ontem à noite a propósito do segundo aniversário do blog do Pacheco. Mas o mais impressionante é que o blogger esteve aqui em minha casa até às vinte prás quatro da manhã, a falar de amenidades (absolutamente nada de relevante, e muito menos relacionado com o Pacheco), saiu, apanhou um táxi, e quarenta minutos depois já tinha escrito e publicado o dito texto.
Considero isto uma proeza de tipo atlético.
 

quinta-feira, maio 05, 2005

Uma explicação para a inércia
Todas as minhas euforias ocorreram de noite, e nos últimos anos ando demasiado cansado para ficar a pé até tarde.
 
Se não lerem, pelo menos não digam que eu não avisei
Para ser automaticamente redirecionado para um lugar sossegado e sem música: cemitério.
 
Ah, voltou, há mais de um mês, sem que eu tivesse sequer dado por isso.
 
A ditadura musical brasileira: ame-os ou deixe-me

Caetano Veloso e Jorge Mautner, atualmente em exibição neste estabelecimento


[Caetano Veloso e Jorge Mautner, «Tarado», no cd de 2002 Eu Não Peço Desculpa]

Voz amiga fez-me chegar um pedido para que eu «acabasse com a ditadura de Caetano Veloso no blog». O que em boa hora serviu para me lembrar de que eu ainda não tinha posto aqui uma canção do Caetano, e que já ia sendo tempo.
Alguma coisa parecida com a surdez é o efeito que a música brasileira pode ter. Caetano Veloso é sem dúvida um extraordinário compositor, autor e intérprete, mas João Gilberto distingue-se por ser exclusivamente intérprete (se descontarmos, em todo o seu repertório, umas três canções de que é autor, e que praticamente sequer têm letra). Isto significa que, se não conseguirmos distinguir João Gilberto como intérprete, pura e simplesmente não somos capazes de o ouvir; é como se ele não existisse de todo. Do prejuízo causado pode ter-se uma ideia através deste excerto da Folha de São Paulo que encontrei por acaso:

«João Gilberto canta como João Gilberto e só como João Gilberto. É uma referência pura para si mesmo, um ideal que ele persegue obsessivamente, atravessando os desconfortos. (...) Não há cantor mais sofisticado do que Caetano Veloso hoje no país. Mas mesmo esse canto, controlado nas liberdades de arabesco e vibrato, parece relativamente simples quando se depara com a simplicidade antinatural de João Gilberto. Ele é o cantor silábico e metafísico, destinado às intensidades de cada segundo. Ninguém respira como ele».

Até agora, no blog pus duas músicas cantadas por João Gilberto. A seguir parei, porque a Bomba deu-nos o que na legendagem de um filme americano outro dia aparecia traduzido como gemas. Foram três canções nas versões mais antigas, mesmo do começo dos anos 1960, em que, como se costuma dizer, João Gilberto «inventou» a Bossa Nova («O Pato», «Você e Eu» e «Samba da Minha Terra»). E são gemas (quer dizer, preciosidades), porque os cd’s (com o título O Mito ou The Legendary João Gilberto) em que se encontram compiladas as gravações do período 1958-1961 estão fora de mercado há anos, em virtude de um conflito entre o músico e a editora. Quando aparecem coisas destas online, não reclamem: gravem no disco rígido.
 

quarta-feira, maio 04, 2005

Três entradas
À atenção do pessoal que discute adolescentes: há teenagers na costa, as meninas do in-deed. Por estes dias, regressou também à blogosfera o conservadorismo com compaixão do Nuno Costa Santos (desta vez com um excelente template). E, como aliás já assinalei por duas vezes, o talento blogosférico estratosférico do Filipe Nunes. Sejam todos bem-vindos.
 
Eu, tarado
«Até tarde, pensei que um pedófilo era um tarado atraído pelos pés das mulheres.»

[Maria Filomena Mónica, no Público de hoje.]
 
Maneiras de ficar maluco [she's got this grip on me]

Não, obviamente, por causa do filme, mas do perfil da cabeça e das mãos que a seguram.

Os homens apreciam as mulheres por «partes», quase como se fossem «pedaços» individualmente considerados. Mas há algumas «partes» decisivas poucas vezes notadas - formato da cabeça, dentes. Já para não mencionar outras mais óbvias: cabelos, pescoço, lábios, braços, pés.

E mais lírico que isto é-me impossível.
 
Exercícios de geografia
absolutamente viciantes.

[via Figmento]
 

terça-feira, maio 03, 2005

A. M. Ribeiro
Contorcia-me de angústia e mal-estar físico assistindo à entrevista feita por Anabela Mota Ribeiro a Paul Auster, na televisão, quando subitamente se me revelou esta verdade evidente mas escondida: como sugerem os seus nomes e comprovam as suas sensibilidades poéticas, Anabela M. Ribeiro e António M. Ribeiro são na realidade uma só pessoa: um caso descarado de heteronímia.

António Manuel Ribeiro, o famoso vocalista da banda UHF, é poeta. Do conjunto da sua obra sobressai o título Se o amor fosse azul que faríamos nós da noite?
 

domingo, maio 01, 2005

Filipe Nunes melhor que Rodolfo Moura
Já se conheciam muitas virtudes aos blogs, mas deve ser a primeira vez que um blogger recupera um atleta para a prática do futebol.

«Amigos, dizia Horácio que há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia. Está aí uma clara alusão ao Sobrenatural de Almeida. Se Horácio fosse torcedor rubro-negro diria a mesma coisa, por outras palavras: - "Há coisas na vida do Flamengo que só o Sobrenatural de Almeida explica".
Os idiotas da objetividade não vão além dos fatos concretos. E não percebem que o mistério pertence ao futebol. Não há clássico e não há pelada sem um mínimo de absurdo, sem um mínimo de fantástico.»
[Nelson Rodrigues, «Sobrenatural de Almeida», 27.10.1968, publicado em A Pátria em Chuteiras].

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