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A Praia

«I try to be as progressive as I can possibly be, as long as I don't have to try too hard.» (Lou Reed)

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sexta-feira, julho 28, 2006

Às vezes há oásis assim
Tenho de começar a ter mais cuidadinho com as recomendações de leitura que faço. Ontem à noite, o abrupto tinha um link para o meu blog, por causa da música de Paolo Conte que está a tocar. O link era das onze e tal da noite. À uma e picos, de forma imprevidente e distraída, eu transcrevi aqui uma parte de um post de Ricardo Araújo Pereira em que o Dr. Pacheco é retratado com alguma malícia. O Dr. Pacheco não deve ter-se levantado muito cedo hoje: às oito e vinte da manhã, o post que no abrupto recomendava A Praia ainda existia. Mas quando recuperou do torpor, o biógrafo de Cunhal apagou os vestígios: the post is no longer.
Em todo o caso, fica registado que o dr. Pacheco Pereira se entusiasmou com Paulo Conte (álbum: Una faccia in prestito, 1995), tendo assinalado que «às vezes há oásis assim», embora acrescentasse depois que a segunda música da minha playlist (Paul Simon, «She moves on») já é «dispensável». Situação que, naturalmente, procuraremos rectificar.

PS. Na sua correspondência com o blogger, o Dr. Pacheco Pereira deveria aproveitar para reclamar que a referência a esse post que escreveu fosse apagada do próprio technorati. De outra maneira, o apagamento de registos torna-se quase impraticável nos nossos dias.
 
Guerra é guerra
Na mesma semana, os terroristas tentaram fazer desaparecer do mapa o Estado de Israel e o blog do Dr. Pacheco Pereira. Os ataques foram vigorosamente repelidos.
 
A ler
«De manhã, à hora a que a generalidade dos homens está a fazer a barba, o Pacheco Pereira está a pendurar poemas no blogue. E pendura-os com a mesma burocracia nos gestos com que os outros homens fazem a barba. Os homens não fazem comentários à barba e o Pacheco Pereira também não comenta os poemas. (...) O Pacheco Pereira exibe poemas como aqueles senhores, na rua, exibem os genitais. Abre a gabardina e mostra um soneto. Baixa as calças e revela uma ode.»
[Estas e outras coisas, num post do Ricardo Araújo Pereira.]
 

quinta-feira, julho 27, 2006

A ver
O video do ano.
 

quarta-feira, julho 26, 2006

A ler
Algumas coisas bastante evidentes escritas por Eduardo Nogueira Pinto.
Às vezes, a guerra é apenas a continuação da estupidez por outros meios, por João Pinto e Castro. E também isto, isto e isto, no mesmo blog.
 

terça-feira, julho 25, 2006

A ler
Remember the argument for the Iraq war - that the overthrow of Saddam Hussein would lead to a stable, democratic Iraq and bring peace between Israelis and Palestinians? Remember the argument that the key problem in the Israeli-Palestinian conflict was lack of Palestinian democracy? Remember Secretary of State Condoleezza Rice's promise that the U.S. would "support the new Lebanon"?
In truth, reliance on democratization was always not so much a strategy as an excuse for the lack of one. It provided a flimsy cover for the Bush administration's inability or unwillingness to address the key challenges and opportunities of the region. These failures included walking away from the Israeli-Palestinian conflict and refusing to consider deals with Iran and Syria when, in the wake of 9/11, these regimes were extremely eager for compromise. [continua]
[Anatol Lieven, «Bush's Middle East Democracy Flop», Los Angeles Times, 23.7.2006]
 
(...) A imposição de um dress code - expressão nascida no final dos anos 60 mas que os yuppies introduziram no léxico empresarial - é comum a muitas organizações e tem razões claras: criar um clima de repressão e de limitação da liberdade individual ou ser usado como ferramenta de segregação e desigualdade social. (...) Nos anos 60 e 70, na Europa e nos Estados Unidos, a luta pelos direitos cívicos confunde-se com a luta pelo direito a usar cabelo comprido e a usar a roupa da cor que se quisesse.
É evidente que todas as sociedades têm regras de indumentária (práticas ou de bom senso, de decência ou do bom gosto), mas pretender transformar em código escrito essa regras fluidas e sujeitas a permanente renegociação informal é o que caracteriza as sociedades totalitárias. (...)
[José Vítor Malheiros, no Público de hoje]
 
A ler
Há, de facto, mais racionalidade em pensar assim, por Paulo Pedroso.
 

segunda-feira, julho 24, 2006

Ponto de situação
(...) Although Israel claims to be cutting Hizbullah’s military capacity there is, so far, little evidence of that. Hizbullah’s guerrilla fighters may instead claim some sort of success by the mere fact that they continue to exist as a fighting force after two weeks of sustained attacks. (...) It may be impossible for Israel to defeat the irregular force from the air, and airstrikes are claiming many civilian lives. Israel risks the worst of both worlds: failing to achieve its aims against Hizbullah and inflaming the rest of the region. (...)
[do Economist online, hoje, mas este é a pagar.]
 
TO THOSE who were young then, the late 1960s were the best thing since 1789.
[do obituário do Economist sobre Syd Barrett, que se pode ler sem pagar.]
 

terça-feira, julho 18, 2006

As reacções à cabeçada de Zidane na final do Campeonato Mundial de Futebol deram origem ao aparecimento de dois grupos de pessoas: os que consideraram o gesto indesculpável e a sanção justa e os que se recusaram a julgar de forma definitiva o jogador francês e consideraram que tinham de saber, antes disso, o que lhe tinha dito o defesa italiano Materazzi para levar um homem habitualmente calmo a uma tal agressão.
(...) As primeiras sugestões lançadas pelos media, incluindo declarações de um perito em leitura labial que descrevia em pormenor as palavras de Materazzi (suavizadas para poderem ser reproduzidas em meios de comunicação de consumo familiar) não conseguiram apaziguar a inquietação destes curiosos, que continuaram a recusar todas as possibilidades conhecidas do domínio lexical para imaginar uma ofensa verbal de um cariz nunca antes explorado, um ultraje de um tipo nunca antes experimentado, tocando talvez numa área da vida de Zidane que não teria a ver com sexo, nem com família, nem com raça, nem com honra, nem com religião mas que seria, apesar disso, essencial à sua pessoa, essencial à sua vida, que teria sido posta em causa por meia dúzia de palavras e que teria sido insuportável. Tratar-se-ia talvez do núcleo duro da alma humana, de uma zona totalmente nova ou esquecida, que constituiria o cerne deste homem (ou de todos os homens) e que não poderia ser posta em causa sem provocar a desagregação de todo o seu ser. O que estas pessoas esperavam no fundo era que Materazzi tivesse gerado com as suas palavras um universo paralelo, um mundo onde outras coisas seriam possíveis, onde as mesmas causas do nosso mundo não causariam os mesmos efeitos, onde certas palavras não pudessem ter como resposta senão uma cabeçada. Esperavam, numa palavra, que ele tivesse criado. E viviam a espera do momento em que seria revelado esse segredo da criação como outros esperam o anúncio do Nobel, a tiragem do Euromilhões ou um sinal do céu. (...)
[José Vítor Malheiros, no Público de hoje]
 

quinta-feira, julho 13, 2006

Coisa séria
«A idade, com a ajuda da vaidade, dá-me para querer ser esperto e defensivo.»

Há muita coisa nova de música brasileira a toda a hora, gente a cantar como não-sei-quem, a imitar não-sei-o-quê, a aproveitar a moda da bossa-nova e das mulheres que miam como gatos. É de desconfiar de quase tudo. Por outro lado, dá-me ideia que esta Cibelle é coisa séria.
 
Alta cultura? Think again
A generalidade das traduções para português podem não ser muito boas, mas temos algumas pessoas que se dedicam à tradução que são perfeitamente inatacáveis, não é? Think again.
 
Uma das melhores coisas que a internet deu à Humanidade
Este blog tem andado tão esculhambado que nem quis assinalar o aniversário, no dia 3 (mas isso é mais uma razão para ficar reconhecido à lembrança do Marujo). Para mim, a blogosfera tem três anos; e o uso intensivo da internet, nas suas quase infinitas possibilidades, praticamente o mesmo tempo na minha vida. Ler o jornal diário é ainda uma obrigação - mas é standard fare, a ração comum.

(...) Whether a blockbuster film, a bestselling novel, or a chart-topping rap song, popular culture idolises the hit. Companies devote themselves to creating them because the cost of distribution and the limits of shelf space in physical shops mean that profitability depends on a high volume of sales. But around the beginning of this century a group of internet companies realised that with endless shelves and a national or even international audience online they could offer a huge range of products—and make money at the same time.
The niche, the obscure and the specialist, Mr Anderson argues, will gain ground at the expense of the hit. (...) Ecast, a San Francisco digital jukebox company, found that 98% of its 10,000 albums sold at least one track every three months. Expressed in the language of statistics, the experiences of Ecast and other companies such as Amazon, an online bookseller, suggest that products down in the long tail of a statistical distribution, added together, can be highly profitable. The internet helps people find their way to relatively obscure material with recommendations and reviews by other people (...).
Television, film and music are such bewitching media in their own right that many people are quite happy to watch and listen to what the mainstream provides. But if individuals have the opportunity to pick better, more ideally suited entertainment from a far wider selection, they will take it, according to the theory of the long tail. Some analysts reckon that entire populations might become happier and wiser once they have access to thousands of documentaries, independent films and sub-genres of every kind of music, instead of being subjected to what Mr Anderson calls the tyranny of lowest-common-denominator fare. That might be taking things a bit far. But the long tail is certainly one of the internet's better gifts to humanity. (...)
The cover of Mr Anderson's book promises to answer the question: “Why the Future of Business is Selling Less of More”. But his book may alarm as well as help businessmen. Karl Marx once described a communist society in which “nobody has one exclusive sphere of activity but each can become accomplished in any branch he wishes...to hunt in the morning, fish in the afternoon, rear cattle in the evening, criticise after dinner.” Mr Anderson suggests that the long tail is bringing about something similar. The tools of media production — computers, desktop printers, video cameras — are now so widely and cheaply available that a generation of young people are becoming amateur journalists, commentators, film-makers and musicians in their spare time, rather as the philosopher imagined. Amateurs offering their work free of charge will contribute a significant portion of the long tail, so at the very end there will be a “non-monetary economy,” says Mr Anderson. If true, that could prove to be the most fascinating long-tail effect of all.

[Da recensão do Economist ao livro The Long Tail, de Chris Anderson.]
 

quarta-feira, julho 12, 2006

Perspectiva
É curioso como é importante ser o amante em vez do corno. Porque, bem vistas as coisas, é uma questão de perspectiva.
 
An acquaintance
Jeff: My problem is... I don’t know about the divorce thing because… you know, I don’t want her telling people about me, I don’t want things to come out in court - I never broke the law, you know, but personal things…
Larry: What kind of things? What do you mean?
J: Like sexual. You know, there are certain sexual things that I like and I don’t want Susie yammering about what they are - they’re not horrible evil things that involve anything that’s against the law.
L: She’s got some…
J: Yeah, but, you know, just stuff…
L: Stuff that you don’t want her to repeat.
J: I don’t want her to repeat.
L: This is sexual blackmail!
J: Sexual blackmail.
L: That is awful!
J: That’s, yeah, it’s…
L: See, that’s why I’ve never done anything even remotely kinky ever, with anyone. The craziest thing I’ve done: I’ve been on the bottom. You know, that’s it.
J: Not even with your wife? Nothing like, you know…?
L: Look what’s happening with your wife.
J: So you protected yourself ahead of time!
L: I don’t tell my wife anything. I don’t confide in my wife. I don’t trust anybody. I just treat her like an acquaintance. Do you think I want her blabbing about me to people? If we got divorced tomorrow, she’d have nothing to say. Nothing she could say. Maybe she could say I hate a couple of people, but that’s it.

[Larry David, Curb Your Enthusiasm, II série, episódio 2]
 
Os portugueses acabam de descobrir as mamas. Ou assim parece, a julgar pelos anúncios, que apareceram quase ao mesmo tempo, à água das pedras com sabor a melão e à super bock. A água das pedras apresenta como slogan «melões de dar água na boca» e tem um spot televisivo centrado numa rapariga em biquini a jogar raquetes na praia; aliás, centrado no biquini, com referência aos melões. O anúncio da superbock fala de «wonderbeer» e apresenta dois copos redondos de cerveja vistos de cima, evocando o par.
Nada me move contra a descoberta das mamas, nem contra o erotismo na publicidade. Aliás, o que está aqui é o contrário do erotismo. Faz-me lembrar um colega dos primeiros anos do liceu que tinha o caderno inteiramente decorado com fotos de mamas - mas só as mamas, recortadas, destacadas, sem enquadramento. Os publicitários portugueses parecem estar naquela fase em que não podem conter o riso perante qualquer alusão, mesmo que muito vaga e remota, às ditas. Podia ser uma tara de publicitários; é mais provável que se baseie nalgum estudo que diga que assim, em Portugal, se conseguem vender bebidas. Chunga, chungaria.
 

sexta-feira, julho 07, 2006

7/7
Having just returned to America after a year's absence, I'm pondering this question: Why is it that the United States, which has not suffered a major terrorist attack at home for more than four years, thinks it's at war, while the United Kingdom, which was hit by a major terrorist attack just a year ago, does not?
The evocation of war is omnipresent in the US. Turn on Fox News and you find a war veteran recounting his experiences on Hill 805 in Vietnam. At one point he says: "I had the privilege of storming the machine gun". The privilege. Walk into the Stanford University bookstore and you find a special display marked "Salute Our Heroes. 20% Off Select Patriotic Titles". Imagine that in your local Waterstone's. (...)
[Timothy Garton Ash, o artigo no Guardian]
 

terça-feira, julho 04, 2006

Da série Nós que não sabemos cantar


Gostava de gravar como Paolo Conte. Isso de «ter voz» é bastante relativo. Passa «Danson Metropoli», do álbum Una faccia in prestito (1995). A letra está aqui, mas para mim não é muito importante: sou capaz de cantar estas coisas todas sem ter a menor ideia do que estou a dizer. E passa-se o mesmo em português.
 
Hasta llorar
(...) El fútbol debería dar más que pensar. Pocas cosas hacen que millones de personas salten a la vez de alegría, en los estadios y en sus casas, por algo en lo que de hecho no han tenido participación – un gol – y que en modo alguno va a afectarles, para bien ni para mal, en sus vidas y problemas personales. Quien está en paro lo seguirá estando al día siguiente; a quien ha perdido a un ser querido no va a volverle ese ser; quien se pudre en una cárcel no saldrá de ella por eso; quien vive perseguido o amenazado continuará así; y, de la misma forma, el rico no se arruinará porque su equipo pierda, ni el que acaba de ganar unas elecciones se verá destituido, ni el feliz recién casado asistirá a la destrucción repentina de su matrimonio. Y sin embargo los desdichados se pondrán contentos si su equipo vence (qué digo, darán brincos de júbilo), y los afortunados se pondrán mohínos si es derrotado (qué digo, cuantas lágrimas no habrán visto resbalar los estadios). Es inexplicable, de acuerdo, luego algo misterioso, y respetable por tanto, tiene que haber en el fútbol. Algo que lo asemeja a la literatura, al cine, a la música, que también son capaces de hacer reír, exaltarse, apiadarse, lamentarse, y hasta llorar por historias y personajes y acordes que nada cambian de nuestra realidad, una vez que se cierra el libro o se encienden las luces o se hace el silencio. O quizás es que sí cambian algo, cuando tienen eco, lo mismo que en nuestra retina un inmenso gol sobrenatural.
[Javier Marías, «El misterioso alivio del fútbol», na revista do El País deste domingo]

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