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A Praia

«I try to be as progressive as I can possibly be, as long as I don't have to try too hard.» (Lou Reed)

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quarta-feira, outubro 25, 2006



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terça-feira, outubro 24, 2006

O direito
Eu não sei, nem tenho, pelo menos agora, maneira de saber de quem é este texto; e tão pouco onde e quando foi publicado. É dessas coisas que circulam por email, apócrifas, muitas vezes atribuído a Millor Fernandes ou Luís Fernando Veríssimo, ou mesmo a um Pedro Ivo Resende que nem sequer sei se existe. Ao contrário de outros textos do género, porém, este é bom. E hoje a publicação é mais que justificada, por um aniversário eu não vou dizer de quem.

O direito ao «foda-se»

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua.
«Pra caralho», por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que «Pra caralho»? «Pra caralho» tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do «Pra caralho», mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso «Nem fodendo!». O «Não, não e não!» e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade «Não, absolutamente não!» o substituem. O «Nem fodendo!» é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo «Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!». O impertinente se manca na hora e vai pro shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
Por sua vez, o «porra nenhuma!» atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um «é PhD porra nenhuma!», ou «ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!». O «porranenhuma», como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um «Puta-que-pariu!», ou seu correlato «Puta-que-o-pariu!», falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer um «puta-que-o-pariu!» dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso «vai tomar no cu!»? E sua maravilhosa e reforçadora derivação «vai tomar no olho do seu cu!». Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: «Chega! Vai tomar no olho do seu cu!». Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: «Fodeu!». E sua derivação mais avassaladora ainda: «Fodeu de vez!». Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? «Fodeu de vez!».
Sem contar que o nível de estresse de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de «foda-se!» que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do «foda-se!»? O «foda-se!» aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. «Não quer sair comigo? Então foda-se!» «Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!»
O direito ao «foda-se!» deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e FODA-SE.
 
Paulinha


Tatuou um ganesh na coxa
chegou com a boca roxa de botox
exigindo rocks

Macacos me mordam se tenho alguma ideia do que estes versos podem querer dizer. A letra parece ser um disparate completo: passa três minutos a chamar a outra de «rata». E acrescenta o pormenor bizarro de dedicar a canção ao «zeca», que pelas minhas contas é o próprio filho do Caetano com a Paula Lavigne. Mas a entrada rockeira é muito forte, com estes versos surrealistas e cheios de aliterações, e depois da segunda audição «rocks» torna-se viciante.
O novo disco do Caetano ainda tem o suficiente para recomendar o gasto.
 

quinta-feira, outubro 19, 2006

Cúmulos
Era tão anarquista que não tinha sistema nervoso central.
 

quarta-feira, outubro 18, 2006

Odeio
Para anunciar que este blog vai acabar, já é tarde: há semanas que quem passa por aqui não encontra novidades. Para anunciar que acabou, ainda é cedo: não sei o que me reservam os próximos meses. Não sei se é purgatório, se é apenas limbo este estado em que me encontro.
Entretanto, duas notas sobre personagens que me dizem muito. A música que toca neste blog, a última que acrescentei à music-box («Odeio»), quase me convence de que o último álbum de Caetano Veloso vale os dezesseis euros que custa na fnac (dezesseis: sem gralha). O álbum é muito fraco, francamente muito fraco: bem produzido, óptimos músicos, óptimo «som» - mas quando entra letra e voz é quase sempre asneira. Talvez o Caetano tenha precisado desta «catarse» lá do casamento de onde saiu, como dizia outro dia voz benevolente; mas nós não precisávamos da maioria destas músicas, letras desinspiradas, repetições do passado na melhor das hipóteses. Há coisas que se salvam, porém, como este «Odeio» - e este refrão «odeio você», terno, passional, insistente por sobre as coisas que acontecem. E mais uma ou outra música.
O disco do Chico é uma história completamente diferente: finalmente ouvi-o e isso decidiu-me, de uma vez por todas, em relação ao concerto no início de Novembro. Venderei os bilhetes. Há canções boas, mesmo muito boas, mas este compositor devia estar a compor para outros. A voz já não se aguenta.
(E, entretanto, às quintas-feiras, continuo a tomar conta daquela página - que, à minha vista, não tem nada de blog.)

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